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Publicado em 04/04/2019    107 Visualizações

Mudanças climáticas abalaram a vida de 62 milhões só no ano passado, diz relatório da OMM

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Planos concretos, realistas, não apenas discursos bonitos para servirem como plataforma política, é o que pede Antonio Guterres, secretário geral da ONU, aos líderes que vão se reunir em setembro na cúpula das Nações Unidas, em Nova York. Guterres faz este apelo não à toa. É que há muito o que fazer para que verdadeiras mudanças nos níveis de produção e consumo, de fato, comecem a fazer diferença. Por enquanto, pouco se vê como resultado prático dos encontros que debatem o clima. Para ilustrar com mais estudos a preocupação do chefe da ONU, na semana passada a Organização Meteorológica Mundial (OMM) divulgou um relatório que constata que 62 milhões de pessoas foram afetadas pelas mudanças do clima somente em 2018. E mais: a temperatura global, segundo os estudos, já subiu 1º grau acima do período pré-industrial.

É preciso cortar as emissões globais de gases do efeito estufa em 45% até 2030, sob pena de que as inundações, as ondas de calor e os instantâneos de frio prolongados devastem ainda mais vidas em todo o mundo. Petteri Taalas, secretário-geral da OMM, na apresentação do relatório, lembra que o Ciclone Tropical Idai, que massacrou Moçambique, Zimbábue e Malaui com inundações devastadoras, pode ser considerado, até agora, um dos mais mortíferos desastres relacionados ao clima a atingir o Hemisfério Sul.

“Idai atingiu a cidade de Beira, uma cidade em rápido crescimento e baixa altitude, num litoral vulnerável a tempestades e já enfrentando as consequências da subida do nível do mar. As vítimas de Idai personificam por que precisamos da agenda global sobre desenvolvimento sustentável, adaptação às mudanças climáticas e redução do risco de desastres”, disse Taalas.

Os céticos do clima começam a se mexer na cadeira, estou certa disso. Hão de dizer que é impossível atribuir toda a culpa do que está acontecendo nos países africanos – em Moçambique já se registra um caso de cólera – às mudanças climáticas. São países pobres, que não têm estrutura para suportar eventos extremos de qualquer magnitude, diriam. Isto também é verdade, já que para os países ricos é muito mais fácil se livrar de tais problemas. Assim mesmo, sabemos bem o que acontece aos habitantes dos Estados Unidos, a nação mais rica, quando são atingidos por furacões. Logo...

Os cientistas, estes mesmos que têm sido tão fortemente aplaudidos e reverenciados quando descobrem formas de melhorar a vida da humanidade, é quem dizem, com base em nada menos do que seis mil estudos, que as emissões de gases do efeito estufa estão por trás do aquecimento e das mudanças climáticas. São eles também, não custa lembrar, que em outubro do ano passado lançaram o relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) advertindo que o mundo precisa de mudanças sem precedentes para alcançar a meta traçada no Acordo de Paris, de limitar o aumento da temperatura global a 1,5 graus Celsius.

Voltemos ao relatório recentemente divulgado pela OMM. Segundo ele, as enchentes atingiram mais de 35 milhões de pessoas em todo o mundo em 2018. A seca também afetou nove milhões de pessoas, áreas do Quênia, Afeganistão e América Central, além de ter provocado migrações em El Salvador, Guatemala, Honduras e Nicarágua.

“Esses extremos estão piorando a fome, que está aumentando novamente após um declínio prolongado. Em 2017, o número de pessoas subnutridas foi estimado em 821 milhões. Quarenta países continuam a depender de assistência externa para o fornecimento de alimentos, dos quais 31 estão na África”, diz a reportagem sobre o relatório no site Climate Home News.

O Relatório da OMM deixa claro que as variações climáticas e os eventos extremos – seca, tempestades, furacões, ciclones – estão impulsionando as crises alimentares no mundo.

Segundo o relatório, 2018 foi o quarto ano mais quente já registrado. E não foram poucas as implicações disto na vida de pessoas comuns. Somente em setembro de 2018, seca, inundações e tempestades provocaram o deslocamento de dois milhões no mundo.

Japão foi castigado por uma forte onda de calor, seguida de tempestades que causaram enchentes. Um recorde de temperatura alta: 41.1 graus registrados na cidade de Kumagaya no dia 23 de julho.

Ondas de calor trouxeram incêndios florestais. Na Suécia, mais de 25 mil hectares foram queimados, o que também atingiu Letônia, Noruega, Alemanha, Reino Unido e Irlanda. Em Atenas, no dia 23 de julho, o fogo se espalhou rapidamente por causa de uma fortíssima ventania. Na Europa Central, o transporte fluvial foi interrompido várias vezes por causa da seca, que também castigou a Austrália, parte da Indonésia e muito severamente o Afeganistão, Paquistão, Uruguai, Argentina. Na América Latina houve neve fora do comum no Chile, Bolívia, Peru e Uruguai. Uma forte tempestade atingiu o Mar Mediterrâneo em setembro, com proporções de ciclone tropical.

As informações sobre os impactos negativos das mudanças climáticas estão à disposição e podem, também, ser lidas com ceticismo quanto ao papel da atividade humana neste processo. É por isso que, já não é de hoje, outro grupo de cientistas se esforça para alterar a Escala do Tempo Geológico, propondo que se entenda a era atual como Antropoceno. Mas esta é uma história mais complexa, que será contada pelo economista José Eli da Veiga em seu novo livro, “O Antropoceno e a Ciência do Sistema Terra” (Ed. 34), sobre o qual trarei notícias em breve.


FONTE: Blog da Amélia






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